Relacionamentos

Queimando as próprias ilusões

Joguei fora tudo que era teu. Não porque aquelas coisas me incomodavam no meu quarto ou nas minhas lembranças, mas porque todas aquelas coisas eram meras ilusões, de corações que achavam amar um ao outro, quando amavam de fato a figura que criamos um do outro.

O que eu quero dizer então, é que nunca amei você. Eu amei tudo o que eu criei de você, e só usei teu rosto, teu corpo, tua voz, como base para acreditar que o que eu criei de fato existia.

E você, meu bem, criou uma versão de mim que eu não gostava de viver, não gostava de fingir ser. Eu sei, que no final de tudo, somos meras projeções criadas por quem amamos, mas infelizmente eu não gostava de ser essa projeção que tu criou.

Então, um certo dia, quando já não doía mais, quando eu já não sonhava mais, pensava ou amava. .. eu decidi queimar todas as ilusões ainda existentes, porque os sentimentos já haviam virado pó há um bom tempo.

Enquanto eu olhava as cinzas se formando, aquela fumaça tóxica subindo, eu só pensava que aquele cheiro de queimado era a melhor coisa que poderia sair daquele amontoado de coisas que você me deu.

Agora me sinto limpa. Meu quarto está limpo. Minha alma e meus pensamentos também estão. Porque, eu entendi, depois de muito esforço, que nós eramos só uma ilusão criada pelos nossos cérebros, para que nossos corações pudessem nos fazer amar um ao outro.

Hoje, finalmente, não somos nada além de nós mesmos, para nós mesmos.

Ariane Moura

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